Camila — O que é se Submeter


Camila achava que estava se submetendo

Camila havia lido tudo. Sabia os nomes das posturas, conhecia os honoríficos, havia decorado os protocolos. Quando sua dinâmica com Diego começou, ela os executou com precisão quase clínica. Mas Diego percebia. "Você está cumprindo. Mas não está aqui." Camila não entendeu. "Mas eu fiz tudo—" "Eu sei," ele disse. "Você fez tudo. Mas você não se submeteu."

Obedecer é um ato externo. Submeter-se é um ato interno. Você pode obedecer mecanicamente, como um funcionário seguindo um manual. Submissão verdadeira exige presença — que você escolha, naquele momento, ceder não apenas o corpo e as ações, mas a resistência interna.

A noite em que Diego explicou

"Quando eu olho para você durante o serviço, quero ver Camila. Não uma executora de protocolos. Quero uma pessoa que escolheu estar aqui." Camila disse, baixinho: "Eu tenho medo de errar." "Eu sei. E é exatamente esse medo que te impede de se submeter. Você está tão ocupada não errando que se esqueceu de estar presente."

A segunda tentativa

Na semana seguinte, Diego pediu algo simples: que Camila trouxesse uma xícara de chá e ficasse ajoelhada ao lado dele enquanto ele lia. Desta vez, em vez de monitorar a posição dos joelhos, ela simplesmente ficou. Pensou: estou aqui porque escolhi estar. Estou aqui porque confio nele. Estou aqui e isso é suficiente. Diego pousou a mão na cabeça dela. Camila fechou os olhos. E pela primeira vez sentiu que estava, de fato, se submetendo.